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A Escola Sindical Sul e as CUTs PR, SC e RS estão organizando o Seminário "Socialismo hoje: nosso projeto histórico em debate", para os dias 27 e 28 de outubro de 2009, em Florianópolis - SC. Em breve divulgaremos mais detalhes sobre a atividade, junto com a programação. Garanta na sua agenda! 
Salvador Dalí
A ofensiva do capitalismo global e a esquerda na defensiva As diversas organizações, movimentos e abordagens teóricas que compõem o que em geral se chama de campo social e pensamento de esquerda, viveram as últimas décadas sob o peso das iniciativas, ideias e transformações provocadas pela ofensiva neoliberal. O capitalismo modernizou seus mecanismos de exploração e formas de controle lançando mão de um processo agressivo e veloz de reestruturação e globalização. As grandes corporações espalharam suas plantas industriais e unidades comerciais por diferentes países, ao mesmo tempo em que as redes financeiras mundiais, com seus gigantescos fluxos virtuais instantâneos, multiplicavam o dinamismo, a perversidade e o descontrole do sistema. Os Estados nacionais perderam poder com os processos generalizados de privatização e desregulamentação. Tornaram-se mais fracos , não só por iniciativas políticas submissas de abrir mão de mecanismos de controle e regulação da economia, como, também, pela autonomia que a internacionalização permitiu às grandes empresas e ao mercado financeiro. Em conjunto com o ideário neoliberal e com a racionalidade do pensamento empresarial, a cultura consumista, explorada ao extremo para garantir a reprodução alucinada do sistema, disseminou e fortaleceu estilos de vida e visões de mundo que assemelham os vínculos humanos a relações de mercado. As consequências desta ofensiva são bem conhecidas pela classe trabalhadora e pelas pessoas e nações pobres do mundo. As crises do capitalismo e a oportunidade da esquerda Vinte anos depois da euforia do seu mais simbólico triunfo no campo do embate de ideias – o colapso do bloco soviético, que trouxe o ânimo e o conforto ideológico necessários à ofensiva neoliberal –, o capitalismo enfrenta sua mais profunda crise desde 1929. A crise atual, que começou no centro do poder capitalista, na sociedade mais consumista do mundo, sucede aos ensaios representados pelas crises especulativas localizadas – Ásia, Rússia, Argentina etc. – consideradas, quando ocorreram, pouco mais que efeitos colaterais sem maior importância. Sucede, também, à crise alimentar recente, essencialmente especulativa, fabricada por decisões em bolsas de valores norte-americanas. Junta-se, também, à crise ambiental que se agravou nos últimos anos a ponto de praticamente aniquilar as possibilidades de sua negação ou tergiversação por parte das grandes corporações e do governo dos Estados Unidos. Agora, entretanto, não são apenas bancos, seguradoras e empresas tradicionais que quebram ou enfrentam enormes dificuldades com o desaparecimento do crédito e o derretimento de papéis especulativos sem relação com a produção real de riquezas. O ideário neoliberal, também, instantaneamente parece que se dissipa. A ideologia do mercado perde o vigor. A racionalidade empresarial é posta em xeque. As bases conceituais do capitalismo, enfim, são abaladas. Os movimentos, organizações e o pensamento de esquerda, depois de um duro período na defensiva – especialmente quanto a espaço e receptividade para o debate de idéias sobre outro projeto de sociedade – , deparam-se, agora, com a oportunidade de aprofundar e disseminar a crítica ao capitalismo. Há cerca de duas décadas que não se descortinava uma situação tão favorável para o embate. O socialismo hoje A denúncia da máquina de dominação e exploração capitalista e das idéias que a legitimam – que sempre fizemos – encontra agora, com o descontentamento e o desencanto gerado pelas crises, um ambiente favorável para sua disseminação, aprofundamento e radicalização. O anúncio do que propomos em seu lugar – o socialismo que queremos –, entretanto, precisa ser debatido, reafirmado ou redesenhado, levando-se em conta a frustração das experiências do “socialismo soviético”, a complexidade e heterogeneidade da classe trabalhadora, a sofisticação do controle do Estado e das corporações sobre a sociedade e a diversidade de iniciativas, movimentos e organizações anti-capitalistas no mundo, entre outros tantos aspectos essenciais para se pensar o projeto de futuro que pretendemos alcançar. Como imaginamos a sociedade socialista que queremos construir quanto à democracia, o Estado, o mercado, as grandes empresas estratégicas...? Como pensamos o futuro e as possibilidades de sua construção e preparação no presente? Qual é, enfim, o socialismo que queremos?
Nosso projeto histórico em debate A CUT tem como compromisso “lutar pela emancipação dos trabalhadores como obra dos próprios trabalhadores, tendo como perspectiva a construção da sociedade socialista”, e o objetivo da Escola Sindical Sul, com este seminário, é pensar esta perspectiva socialista a partir da realidade do mundo deste início de século. Mais do que o evento em si, a Escola pretende estimular o debate e a circulação de ideias, a troca criativa de visões teóricas e possibilidades práticas, com o desejo de reafirmar o ânimo militante, afinando o projeto e as práticas para a construção do socialismo. |